A Vida é uma Festa, animação da Disney Pixar, traz uma história sensível com aprendizados para todas as idades, envolvendo temáticas como a desencarnação e reencarnação, Lei de ação e reação, reencontro e saudade, além do sentimento de amor em família♥️

Com direção de Lee Unkrich e roteiro de Matthew Aldrich, o longa nos traz Miguel, um garoto que precisa lutar pelo seu direito de cantar diante da família que desaprova. Tudo porque seu tataravô abandonou todos para perseguir seu sonho e nunca mais voltou. No caminho de sua jornada Miguel aprende valiosas lições sobre perdão, amor e legado.

Uma Verdadeira Jornada Espiritual

A espiritualidade não mora apenas nos templos ou nas escrituras sagradas. Muitas vezes, ela se revela nas formas mais inesperadas — como em uma animação colorida, vibrante e emocionante como A Vida é uma Festa, da Disney Pixar. O que parece ser, à primeira vista, uma história sobre música e tradição, é, na verdade, uma verdadeira jornada espiritual através dos véus da morte, da memória e da eternidade da alma.

Lançada em 2017, e originalmente intitulada Coco, a animação se inspira na celebração mexicana do Día de los Muertos (Dia dos Mortos) — uma festa ancestral que honra os que já partiram com flores, velas, música, oferendas e, acima de tudo, amor. Mas o filme vai muito além da cultura mexicana: ele toca em verdades universais que dialogam profundamente com uma visão espiritualista da existência.


A Morte Não é o Fim: É Uma Continuidade

O primeiro grande ensinamento espiritual do filme é simples e profundo: a morte não é um ponto final, mas uma vírgula na jornada da alma. Miguel, o jovem protagonista, é um menino apaixonado por música, que vive em uma família que, por razões misteriosas, proibiu completamente qualquer forma de expressão musical. Movido por seu amor pela arte e o desejo de encontrar seu lugar no mundo, Miguel acaba atravessando o véu entre os mundos e entra no “mundo dos mortos”.

O que encontra lá não é escuridão ou tristeza, mas um reino vibrante, cheio de luz, cores e vida. Os ancestrais vivem em paz, dançam, se reencontram e observam com carinho seus descendentes. Esse mundo espiritual, tal como é representado, não é um local de julgamento ou punição, mas de continuidade da consciência, de laços afetivos que permanecem vivos.

A animação retrata com sensibilidade uma das grandes verdades espirituais: a vida continua após a morte, e os vínculos do amor não se rompem — eles se transformam e seguem existindo em outras dimensões.


A Memória como Ponte entre os Mundos

Na cultura retratada no filme, há uma crença poderosa: os mortos só permanecem vivos no mundo espiritual enquanto são lembrados pelos vivos. E é essa lembrança que permite que eles atravessem, durante o Día de los Muertos, a ponte de pétalas de cempasúchil (flor dos mortos) e visitem seus familiares.

Espiritualmente, isso é profundamente simbólico. A memória é uma forma de conexão energética. Quando lembramos de alguém com amor, quando oramos, quando falamos seu nome com ternura, emanamos vibrações que alcançam os planos sutis onde essas almas se encontram.

Na tradição espiritualista, isso ecoa com a ideia de que o pensamento é força criadora. Lembrar de um ente querido com carinho pode iluminá-lo em sua jornada espiritual. Esquecê-lo completamente, por outro lado, pode representar uma espécie de “segunda morte” — não física, mas simbólica, emocional, vibracional.

No filme, isso é representado com delicadeza quando um dos personagens espirituais começa a desaparecer por completo porque ninguém mais se lembra dele no mundo dos vivos. Essa cena toca fundo e nos faz refletir: quantos ancestrais nossos estão à espera de uma simples lembrança, uma prece, uma vela acesa com intenção?


Curar as Feridas da Ancestralidade

Outro tema central de A Vida é uma Festa é a cura da linhagem familiar. Miguel acredita que seu ancestral famoso, o músico Ernesto de la Cruz, é seu bisavô e sua inspiração. Mas, ao adentrar o mundo espiritual, ele descobre segredos enterrados — traições, injustiças, silêncios e mágoas — que moldaram a dor da sua família por gerações.

Quantas vezes também carregamos em nossa alma os traumas e bloqueios da nossa árvore genealógica? Medos que não entendemos, padrões que se repetem, proibições que nos limitam — muitas vezes, tudo isso está enraizado em histórias não contadas, dores não curadas dos nossos antepassados.

O filme mostra que o caminho da libertação e da cura começa quando decidimos olhar para trás com consciência e amor, buscando compreender, perdoar e honrar a história de quem veio antes de nós. Miguel não apenas descobre a verdade — ele a integra, a honra e a transforma. Ele reconecta sua família com sua verdadeira essência, devolvendo à linhagem a música, a alegria e a liberdade.

Esse é um ensinamento espiritual profundo: a cura do nosso presente passa pelo acolhimento do passado. E curar a história da família é, também, libertar a própria alma.


O Chamado da Alma e a Missão de Vida

Miguel sente, desde pequeno, um chamado interior irresistível pela música. Mesmo proibido de tocar, ele constrói seu próprio violão escondido e sonha com palcos e canções. Isso representa, de forma simbólica, o chamado da alma para cumprir sua missão nesta vida.

Na visão espiritualista, cada ser encarnado carrega uma essência única, um “contrato espiritual” — dons, aprendizados e propósitos que o espírito escolheu viver. Ignorar esse chamado é viver em desconexão. Segui-lo, por mais difícil que pareça, é caminhar com a alma desperta.

No filme, quando Miguel ousa seguir sua paixão, ele acaba sendo levado a uma jornada de autoconhecimento, reconexão com sua origem e transformação da realidade ao seu redor. Ou seja: seguir o chamado da alma é o início do verdadeiro despertar.

Quantos de nós silenciamos nossa essência por medo, por tradição, por lealdade inconsciente a histórias familiares? A Vida é uma Festa nos inspira a ouvir o que vibra no coração, mesmo que desagrade os moldes. Porque só há plenitude quando a alma é livre para cantar sua própria canção.


O Amor que Transcende o Tempo e a Matéria

O ápice do filme é uma das cenas mais emocionantes da história da animação: Miguel canta para sua bisavó, Mamá Coco, a música que seu verdadeiro bisavô, Héctor, compôs para ela quando pequena. A música, “Lembre de Mim” (Remember Me), desperta nela as memórias adormecidas, e é através desse ato de amor que a ponte entre os mundos se restaura.

Aqui está, talvez, a mensagem mais bela da obra: o amor é a única força capaz de atravessar o tempo, a morte e o esquecimento.

Espiritualmente, isso confirma que o vínculo de almas é eterno. Quando lembramos com amor, quando perdoamos de verdade, quando honramos nossa ancestralidade, estamos permitindo que o fluxo da vida volte a circular — dentro de nós e além de nós.


Quando a Vida Vira Celebração da Alma

A Vida é uma Festa nos lembra que a espiritualidade não precisa ser sombria, pesada ou distante. Ela pode ser colorida, musical, leve e cheia de alegria. Porque estar em contato com o mundo espiritual não é apenas lidar com a morte — é, sobretudo, celebrar a vida em sua dimensão mais ampla.

É lembrar que nossos passos estão conectados aos de nossos antepassados. Que nossa essência pede expressão. Que a alma deseja se manifestar com autenticidade. Que os que partiram continuam a nos amar e proteger — e que basta uma lembrança, uma oração ou uma música para reconectarmos nossos corações.

No fim das contas, A Vida é uma Festa nos ensina que a maior herança espiritual é o amor. E que celebrar a vida é, também, celebrar a eternidade da alma

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