O Sermão da Montanha (Mateus 5–7) é um dos discursos mais importantes de Jesus e serve como base do Cristianismo Primitivo. No centro desse sermão, encontramos a Oração do Pai Nosso (Mateus 6:9-13), que não é apenas um modelo de oração, mas um reflexo dos valores e temas do próprio sermão. Sermão da Montanha – Oração do Pai Nosso

Se olharmos o Sermão da Montanha a partir da perspectiva do Pai Nosso, veremos que ele funciona como um resumo prático e teológico do que Jesus estava ensinando.Quando Jesus se sentou no topo da montanha para ensinar aos seus discípulos,  provavelmente eles não tenham compreendido toda a amplitude e profundidade de suas palavras. Talvez essa profunda compreensão tenha ocorrido somente depois que ouviram Jesus ensinar muitas vezes ao longo dos três anos seguintes. Pode também ter sido anos depois que ele ascendeu ao céu

O Pai Nosso como Chave do Sermão da Montanha

A Oração do Pai Nosso é como um resumo condensado do Sermão da Montanha. Cada petição reflete um princípio ético e espiritual que Jesus desenvolve ao longo de seu discurso. Ao ensinar essa oração, Jesus não estava apenas fornecendo palavras para serem repetidas mecanicamente, mas estava convidando seus discípulos a viverem essa realidade no dia a dia.

Se compreendermos e praticarmos o Pai Nosso em sua essência, estaremos também vivendo os ensinamentos mais profundos do Sermão da Montanha.    Sermão da Montanha – Oração do Pai Nosso

 

1. “Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome”  

Logo no início do Sermão, Jesus declara:
“Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5:3).

Ser “pobre de espírito” não significa fraqueza, mas reconhecer a própria dependência de Deus. O Pai Nosso começa com esse reconhecimento: Deus está nos céus, acima de tudo, e Seu nome deve ser santificado. Isso implica que nossa vida deve estar voltada para Ele e para a humildade diante d’Ele. “Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome”  

A Fé é Psicológica ou Religiosa?

2. “Seja feita a sua vontade, assim na terra como no céu” 

Na primeira petição da Oração do Senhor, assim como nessa segunda petição, são qualificadas pelas frases da Oração ao Senhor. Isso significa na segunda petição que  “na terra como no céu” é o Reino pelo qual oramos .

  • os pobres de espírito herdam o reino dos céus (Mt 5,3),
  • os que choram são consolados (Mt 5,4),
  • os mansos herdam a terra (Mt 5:5),
  • aqueles que têm fome e sede de justiça são satisfeitos (Mt 5:6),
  • aos misericordiosos é mostrada misericórdia (Mt 5:7),
  • os puros de coração veem a Deus (Mt 5:8),
  • os pacificadores são chamados filhos de Deus (Mt 5:9),
  • os perseguidos por causa da justiça herdarão o reino dos céus (Mt 5:10),
  • aqueles que herdam o reino do Pai na terra são recompensados ​​no céu (Mt 5:11-12),
  • os cidadãos do reino são sal para um mundo que se tornou insípido (Mt 5:13), e
  • os cidadãos do reino são luz para um mundo que se tornou escuro (Mt 5:14-16).

O Reino do Pai não vem por meio da compreensão do mundo através de poder e glória, mas por meio do poder de Deus, enquanto ele glorifica pessoas caídas para que elas possam se tornar seus filhos.

3. “O pão nosso de cada dia nos dai hoje”

Esta petição diz aos filhos do Pai para confiarem no Pai para o sustento diário, mas esta petição não é apenas sobre comida: é também sobre apetites. O Sermão da Montanha indica que quando oramos “Dá-nos este pão de cada dia” estamos orando para que tenhamos…          Sermão da Montanha – Oração do Pai Nosso

  • a vontade e a força para acumular tesouros no céu, não na terra (Mt 6:19-21),
  • desejos que buscam as coisas de Deus, não as coisas deste mundo (Mt 6:22-24), e
  • nenhuma ansiedade quanto às necessidades do corpo (Mt 6:25-34).

Confiar no Pai para tudo o que precisamos liberta nossos corações e mentes das ansiedades desta vida para que possamos voltar nosso foco e atenção completos para o que o Pai requer de seus filhos. Além do sustento do Pai, também somos instruídos a buscar seu perdão, o foco da próxima petição.

4- “Perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”

Ao contrário da opinião popular, o perdão do Pai parece ter um qualificador associado a ele. Quando pedimos o perdão do Pai, também devemos perdoar os outros. Isso não é meramente a disposição de perdoar; pois o ato real de perdoar é necessário.      Sermão da Montanha – Oração do Pai Nosso

A formulação desta petição muda o foco do que o Pai faz para o que os filhos do Pai fazem. Quanto mais esclarecido pelos ensinamentos do Sermão da Montanha, isso significa queao oramos : “e perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”, estamos orando para:

  • não julgar os outros (Mt 7:1-2),
  • cuidar dos nossos próprios pecados antes de considerar ajudar os outros com os seus pecados (Mt 7:3-6)
  • pedir livremente o bom dom do perdão do Pai somente depois de termos perdoado os outros (Mt 7:7-11),
  • evite pecar contra os outros obedecendo à intenção da Lei e dos Profetas: faça aos outros o que gostaríamos que nos fizessem (Mt 7:12).

O Pai oferece livremente seu perdão, mas como filhos seus e cidadãos de seu Reino, devemos perdoar os outros da mesma forma. Se escolhermos, no entanto, guardar rancor e escolher reter nosso perdão, faz muito pouco sentido que ainda esperemos que o Pai nos perdoe por todos os pecados que cometemos e cometeremos. Há, no entanto, um passo antes de pecarmos, e esse passo é ceder à tentação, que é o foco da próxima frase da Oração do Senhor.      Sermão da Montanha – Oração do Pai Nosso

5- “E não nos deixeis cair em tentação”

Quando vivemos de acordo com as limitações do nosso próprio poder, parece que encontramos todas as tocas de coelho da vida levando aos becos sem saída do pecado, mas com a ajuda do Pai, somos capazes de nos tornar santos como ele é santo (Lev. 11:44). Esta petição pede a orientação do Pai para nos manter longe da fonte do nosso pecado em primeiro lugar: a tentação. Guiados pelo ensinamento do Sermão da Montanha, nosso pedido para sermos levados para longe da tentação é um pedido para que o Pai:

  • guia-nos pela porta estreita da sua justiça (Mt 7,13),
  • nos impeça de percorrer o caminho largo e fácil da destruição (Mt 7:13), e
  • dá-nos a força e a vontade de permanecer no difícil caminho do chamado do Pai para a justiça contínua (Mt 7:14).

Se não fosse pela ajuda do Pai em nos afastar da tentação, nossa natureza instintiva sempre nos levaria para aquelas coisas que nos fazem pecar. Os perigos da vida, no entanto, não são apenas aqueles encontrados dentro de nós mesmos; há outras fontes do mal, e por elas oramos na próxima petição.

6- “Mas livra-nos do mal”

Esta pode ser uma das petições mais mal compreendidas na Oração do Senhor. Certamente, oramos para que o Pai nos mantenha longe do diabo, mas também podemos considerar o afastamento e proteção para:

  • protege-nos da influência dos falsos profetas (Mt 7,15),
  • dá-nos olhos para ver o fruto dos profetas, seja falso (fruto ruim) ou verdadeiro (fruto bom) (Mt 7:16-20),
  • concede-nos o poder de fazer a vontade do Pai, não apenas chamá-lo de “Senhor” (Mt 7,21-23), e
  • preserva-nos para que entremos no reino dos céus (Mt 7,21-23).

Universalidade dentro do Cristianismo

Dentro do cristianismo, o Pai Nosso é uma das orações mais conhecidas e recitadas. Ele está presente nos Evangelhos de Mateus 6:9-13 e Lucas 11:2-4, sendo considerado a oração que Jesus ensinou diretamente aos seus discípulos.

  • Catolicismo, Ortodoxia e Protestantismo: Todas as principais tradições cristãs utilizam o Pai Nosso em seus cultos e liturgias, embora haja pequenas variações na forma da oração (como a inclusão ou não da doxologia final: “Pois Teu é o Reino, o Poder e a Glória para sempre”).
  • Cristianismo Primitivo: Desde os primeiros séculos da Igreja, a oração foi central na liturgia cristã, sendo recitada na Didachê (um dos primeiros escritos cristãos fora do Novo Testamento, cerca do século I-II d.C.).
  • Movimentos Evangélicos e Pentecostais: Apesar do foco em orações espontâneas, o Pai Nosso ainda é usado como um modelo de oração.

Dentro do cristianismo, a oração do PAI NOSSO é praticamente universal.